Sobre Uma

Sobre Uma

Eu vivi alguns relacionamentos abusivos bem cedo na vida, tive traumas familiares na infância, e passei uma seita religiosa em que fiquei por alguns anos, onde vivi e testemunhei violências em um outro patamar. Consegui me libertar da seita, do relacionamentos abusivos de lá, e sobrevivi um longo e penoso processo de denúncia, junto a outras vítimas. Fui diagnosticada com TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e fiz tratamento especializado.

Com muita luta e apoio de pessoas muito especiais, consegui não só superar aquela situação mas também prosperar, e viver uma vida que eu, nas fases difíceis, jamais sonharia que poderia… Quando eu sigo ´prosperar´ não estou falando de dinheiro, mas de riqueza em todos os âmbitos da vida: eu criei uma vida que é de fato minha, alinhada com o que eu acredito, quem eu sou, e plena de saúde física e mental. Capaz de amar, ser amada, impôr limites e ser totalmente autônoma emocionalmente, profissionalmente e financeiramente. E recentemente recebi meu laudo de que meu TEPT estava em remissão. Ou seja - sem sintomas.

Eu sempre amei escrever. Escrever é me fazer autora da minha própria história, algo que a violência tira da gente. E pelo menos na minha época, não haviam materiais assim disponíveis. Não haviam referências de denunciantes, sobreviventes, contando seus finais felizes. Pelo contrário - havia essa crença inconsciente de que mulheres que sofriam abuso jamais se recuperariam, estariam para sempre 'danificadas'. Como uma sentença. E que aquilo te definiria como ser humano. Como se você fosse somente o abuso que passou. Nada poderia estar mais distante da realidade. 

E acho importante que eu compartilhe nisso não só como referências de 'finais felizes', mas também como compartilhar os saberes que coletei nessa jornada difícil. A gente até encontra textos sobre relacionamentos abusivos e não falta gente nos dizendo pra terminar ou pra denunciar. Todo mundo quer dizer pra gente “o que” fazer. Mas ninguém fala sobre o “como”, sobre as consequências, o que está em jogo, as implicações - e elas não são poucas. Requer estratégia, inteligência, apoio de outras mulheres e MUITA força interior. 

O Manual da Sobrevivente é o primeiro de alguns textos que eu quero publicar nesse pseudônimo. Mas já tenho outros textos sendo polidos, como o Manual da Denunciante. Se inscreva pra receber. Sempre gratuitamente. Sem spam, e sem perder seu tempo. Este projeto, pra mim, é missão. Não negócio.

Se eu puder com minha escrita fazer com que uma única mulher se beneficie, e tenha um processo menos traumático, minha missão aqui está cumprida. 

Você não está ficando louca.

Você não é fraca.

Você não é a única.

Somos muitas.

E eu sou Uma de Nós.


Por que o pseudônimo?

Pela minha segurança. Eu me livrei de situações e de homens perigosos no passado mas infelizmente eles seguem livres e na ativa.

O que eu tenho a dizer e contribuir não precisa me expor pra cumprir sua missão.


Contato

Para colaborações e doações - contato.umadenos@proton.me